Doces lembranças

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Nesses tempos de isolamento, afazeres foram criados como uma forma de as pessoas se distraírem, após serem surpreendidas pelo fato que deveriam “ficar em casa”.

Fizemos muito pão, cozinhamos ou aprendemos a cozinhar, exercícios físicos foram feitos “on line”, os artistas começaram a fazer lives e nosso mundo se tornou virtual.

Comigo não foi e nem está sendo diferente.

Mas também comecei a ter muito tempo para pensar, lembrar da infância, de vizinhos….

De repente, lembrei que eu tinha uma vizinha, isso nos anos 60, a qual eu e minha irmã chamávamos, carinhosamente de “Vovó de baixo”.

Calma! já vou explicar o motivo.

Morávamos numa cobertura e num dos quartos, havia um janela que meus pais colocaram uma grade (chamada na época de peito de pombo). Essa janela dava para um telhado e também para o poço de ventilação do prédio, onde ficavam as áreas dos demais apartamentos.

No andar de baixo, havia uma família composta de pai , mãe, dois filhos e uma avó (essa era a Vovó de baixo). Nessa época , nossa avó ainda estava entre nós, daí o termo “Vovó de baixo”para fazer a diferença.

Muitas vezes, sentava-me ali (as vezes acompanhada de minha irmã) e colocava almofadões na grade (maior conforto,né?) e gritava em direção ao poço, chamando a “Vovó de baixo”. Ela aparecia e começávamos a trocar alguma conversa, que hoje, confesso não tenho a menor idéia do que se tratava. Isso acontecia frequentemente.

Os filhos dessa família, eram mais velhos do que eu e às vezes me ajudavam em trabalhos escolares.

Um deles, foi cursar medicina. Perdi o contato, eles mudaram, o tempo passou mas eu não esqueci seus nomes.

Então nesse dias, onde o não ter o que fazer impera e o pensamento flutua, fui procurar na internet por esse que eu sabia ter-se tornado médico. E não é que achei! Sim!

Dr. Jorge Luís do Amaral, o Dr. Bigu, o anjo da guarda dos sambistas, como é conhecido.

Vi inclusive foto de sua mãe, ainda viva, que me pareceu estar da mesma forma de como eu lembrava dela.

Que doce lembrança esses tempos tão nebulosos me trouxeram.

Pelo andar da carruagem, acredito que outras doces lembranças me trarão aqui a escrever.